OSUFPB faz concerto em homenagem às mulheres

terça-feira, 3 de março de 2026

No repertório, três compositoras pioneiras em seu ofício, promovendo avanços para as mulheres no campo da música

A OSUFPB tem neste mês de março uma programação bem densa, com quatro concertos marcados. O primeiro deles acontece nesta sexta, 06 de março, e será dedicado às mulheres, fazendo alusão ao Dia Internacional da Mulher, celebrado no dia 08 deste mês. No repertório, a compositora alemã Fanny Mendelssohn (1805-1847) e as brasileiras Ilza Nogueira (1948) e Tami Belfer (1945), todas são personagens que fizeram conquistas históricas a partir de sua música e seu posicionamento desafiador dentro da realidade de seu tempo. A regência fica por conta do maestro Carlos Anísio.

O evento será realizado na Sala Radegundis Feitosa, às 20 horas e a entrada é gratuita com acesso rigorosamente por ordem de chegada até a lotação da Sala, que comporta 300 espectadores.

As compositoras e o repertório

Para inspirar as mulheres em suas lutas contra o machismo e a misoginia, foram escolhidas três compositoras que, na condição de mulher, promoveram avanços no seu tempo, desafiando realidades que as oprimem. A primeira delas é a compositora e pianista alemã Fanny Mendelssohn, que teve sua carreira ofuscada pelo seu irmão Felix Mendelssohn, este sim, muito conhecido. Esta compositora deixou cerca de 460 obras e até inaugurou um estilo de composição para piano, conhecido como “Canção sem Palavras”, que terminou por ajudar na projeção de seu irmão famoso. De Fanny Mendelssohn será tocada o Quarteto de Cordas em Mi Bemol Maior, que foi escrito em 1834.

As outras duas compositoras são brasileiras. A primeira é a professora e pesquisadora Ilza Nogueira, baiana de Salvador, mas que marcou muito a cena musical e acadêmica da Paraíba, pois lecionou por 22 anos na Universidade Federal da Paraíba. Além de exímia compositora, a Profa. Ilza pertence à Academia Brasileira de Música desde 2003, onde ocupa a cadeira de número 27. Em 2026 foi eleita presidente desta mesma Academia, tomando posse deste honorável posto esta semana. Dela, a OSUFPB tocará a Suíte Caymmiana: História de Pescadores, composta em homenagem às canções praieiras do também baiano Dorival Caymmi. 

A outra que completa o elenco criativo é Tami Belfer, uma jovem paulista nascida em 1985, mas que já comemora uma exitosa carreira como violonista e compositora. Bacharel em violão clássico e licenciada em música pela Faculdade Santa Marcelina (SP), dedicou-se à composição e à produção audiovisual, com foco em trilhas sonoras para cinema. Participou de mais de 40 longas-metragens e séries brasileiras, incluindo produções para Netflix, HBO, Star Plus, O2 Filmes, Gullane, Paris Entretenimento, entre outras. De Tami Belfer, a OSUFPB toca Fragmentos de Escuridão (2023), que é uma peça para orquestra de cordas, clarinete e trompa, estruturada a partir de uma melodia apresentada inicialmente em diálogo entre os dois instrumentos de sopro.

O Regente

Carlos Anísio realizou seus estudos iniciais na Escola de Música Anthenor Navarro. É Bacharel em Música (UFPB/83) e Mestre em Regência Orquestral (UFBA/97), tendo ingressado como docente da UFPB em 1991. Diretor e compositor premiado de trilhas musicais para cena e audiovisual, dirige o Coro de Câmara Villa-Lobos, com o qual gravou os CDs Cancioneiro de Ipuarana e Todas as Ondas do Rádio.

Dirigiu, regeu e fez arranjos de vários CDs, como Viva Nau Catarineta, Poetas Sem Conserto, Travessuras: Dez Canções Infantis, Zé Lins: O Pássaro Poeta, Antologia Musical: Viva Pedro Santos!, entre outros. Atualmente é Coordenador da Orquestra Sinfônica da UFPB.

A OSUFPB

A OSUFPB é um corpo artístico da UFPB pertencente ao LAMUSI (Laboratório de Música Aplicada), ligado ao Centro de Comunicação, Turismo e Artes da instituição. A Orquestra tem finalidades pedagógicas, contribuindo para a formação de plateia para o público pessoense. 

Atualmente conta com vinte e três músicos fixos – cordas, clarinete e trompa – e com a participação eventual de professores e alunos dos cursos de música da UFPB, além de colaboradores voluntários da cena sinfônica paraibana.